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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Love is in the air: reconhecida a união homoafetiva.

João conheceu Maria em um aniversário. Conversaram. Apaixonaram-se. Namoraram por 2 anos e casaram-se diante do olhar emocionado da família de ambos. Passados 3 anos resolveram ter um filho. Adotaram o Marquinhos. Quando Marquinhos estava com 8 anos, João sofreu um acidente de moto e faleceu. Família, amigos, colegas: todos ampararam Maria e Marquinhos. Apesar da dor, Maria encaminhou o inventário e o requerimento de pensão perante o INSS. O Judiciário foi ágil: em 6 meses os bens do falecido João estavam devidamente encaminhados, a meação da Maria e a herança do Marquinhos. O INSS, em 15 dias, reconheceu o direito da pensão e, no mês seguinte, Maria passou a receber o benefício. E a vida seguiu. Com tristeza, mas, ao menos, com a estabilidade financeira e com todos os amigos/parentes/e etc apoiando os dois. A vidaseguiu. 

E como seria se mudássemos um dos protagonistas da historinha acima? Seria um pouquinho diferente. Assim ó:

João conheceu José....namoraram escondidos, já que ambos enfrentavam toda a sorte de discriminação em seus trabalhos e famílias. Após 1 ano de felicidade queriam se casar. Não puderam: a lei não permitia. Foram morar juntos. Ao fazerem isso foram escanteados por suas famílias. Superaram essa situação porque se amavam muito. Estavam felizes. Resolveram adotar uma criança. Não puderam: a lei não permitia. João morreu. Deixou muitos bens, pois tivera muito sucesso profissional. José não pode entrar com o inventário: a lei não permitia. José sequer chegou perto do INSS: a lei não permitia. Os bens? A pensão do INSS? Ficaram com a família do João. Sim. A mesma família que o expulsou de seu convívio e que ignorou sua existência durante longo tempo.

Pois bem. Até agora, há mais ou menos uns 20 minutos atrás, esse era o desfecho da historinha de João e José. Era. O STF acabou de fazer algo. Amanhã todo mundo vai falar. Aguardemos o pavor dos bispos, padres e afins da santa-apostólica- romano-cristã. Vamos ouvir aqueles que se mantêm fiéis aos "bons costumes". Talvez, o Serra vá para a igreja rezar com as carolas e carolos porque ainda quer ser presidento e quer se aliar ao pessoal da "moral e dos bons costumes". Pavor geral desse pessoal. Nós os compreenderemos, afinal quebrou-se um paradigma. Uma coisa assim de mais ou menos....não sei quantos anos. Agora não tem mais jeito: o amor foi reconhecido. É direito de todos. Todos mesmo. Sem exceções. 

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