Direitos Autorais

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Greve e minha inconformidade. Parte 1.

Eu não deveria falar sobre isso. Muito menos escrever sobre isso. Mas não consigo. Nem não falar, nem não escrever. Estou me referindo à greve dos servidores públicos, mais especificamente dos servidores públicos federais. Eis a notícia:

"Os servidores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União têm pressa em fazer a greve nacional. Há dois motivos principais para isso: ela já começou na Bahia e em Brasília e é imprescindível para forçar a negociação com o governo e o STF e arrancar, antes do recesso Legislativo, um acordo que garanta a revisão salarial e supere o congelamento imposto pela presidenta Dilma Rousseff. Foi o que avaliou a maioria dos representantes dos servidores de 25 estados do país e de todos os sindicatos filiados à federação (Fenajufe) que participaram da 16ª Plenária Nacional da categoria, ocorrida entre 3 e 5 de junho num Rio de Janeiro frio na temperatura, mas quente na recepção e nas ruas movimentadas pelas mobilizações dos bombeiros, também em campanha salarial."(http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2722782/plenaria-com-servidores-de-25-estados-aprova-greve-pela-aprovacao-do-pcs)

Vamos ver os vencimentos. Quanto ganha esse pessoal. Vamos diretamente aos vencimentos, MÍNIMOS(carreira inicial), desses servidores: 
Analista Judiciário (curso de ensino superior): R$6.551,52
Técnico Judiciário (curso de ensino médio): R$3.993,09
Auxiliar Judiciário (curso de ensino fundamental): R$ 1.988,19

Ahhhhh! As instalações da JF estão cada vez melhores. Ahhh! Eles têm a querida ginástica laboral (já me aconteceu de ser barrada em um gabinete, tendo que voltar meia hora depois, porque o pessoal estava em ginástica laboral e não poderia me atender....coisas da vida, né?).

Estou com sinceras dúvidas sobre esses valores: são justos? estão dentro da realidade? e a Justiça Estadual ganha o mesmo? E como estão os salários da grande maioria dos trabalhadores da iniciativa privada (não estou falando daquela meia dúzia que tem cargo de chefia/diretoria e afins)? E os demais trabalhadores (públicos e privados) também não enfrentam dificuldades?

Não fico olhando só para o meu umbigo, mas posso falar com propriedade sobre ele. Então posso dizer, com todo conhecimento de causa, que o salário médio que está sendo oferecido a advogados, de Porto Alegre e da região metropolitana, é de R$1.300,00. Sem benefícios. Sem carteira assinada (pasmem! os defensores dos direitos trabalhistas não os cumprem!) - sem INSS; sem FGTS; sem férias ou 13°, sem seguro-desemprego. Sim. Sem nada. E quem advoga sabe que não há horário, há trabalho na rua, instalações nem sempre confortáveis e outras coisas calamitosas.

Já estou ouvindo a argumentação estatutária: quem mandou eu não ser competente e capaz e inteligente e astuta para não ter passado em um concurso? Pois é. Eu realmente não estou sendo capaz disso. Mas e aqueles que querem ficar só na iniciativa privada? Que não desejam o serviço público e que enfrentam essa dura realidade? 

Continua no próximo post....porque agora tenho que sair correndo para tentar ganhar os 1.300.


Nenhum comentário:

Postar um comentário