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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Minhas metades em partes inteiras, "porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio."

Hoje não quero falar da greve. Mesmo que hoje tenha sido decidida a paralisação total, geral e amplificada da Justiça Federal. Paralisação por tempo indeterminado diga-se de passagem. Não estou interessada.
Não estou preocupada com os salários (nem com os bons; nem com os maus).

Hoje não estou interessada na queda do Palocci, nem na subida da Ideli.
Não estou observando nem a óbvia inconstitucionalidade do segredo das licitações para as obras da Copa.

Nem fui ver o que aconteceu durante a visita do Ban Ki-moon. Nem sei se torço pra que ele fique na Onu ou para que ele vá. Não sei mesmo.

Gripe A? Prisão do Edmundo? Não, não, muito obrigada. Não quero falar sobre isso.

Hoje, não quero saber se o Renato vai colocar o Escudero no lugar do Lúcio pra jogar no próximo domingo; nem se o esquema vai ser losango, quadrado, retângulo ou...circular fechado meio semi círculo. Muito menos estou interessada na saída do Falcão. 

Só por hoje não estou interessada.

Hoje, minha metade poética está inteira. Hoje, é dia da metade ilusória, da metade lunática. Dia de cantar e de não olhar para outra coisa que não seja a metade musicada. Em homenagem a essa nobre metade, chamo o Osvaldo. O Montenegro. O Osvaldo Montenegro, então:

METADE

E que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos nem a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que tristeza.
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que penso, e a outra é um vulcão.

Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia, e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor, e a outra metade...também.


O Osvaldo está em Poa. Só para finalizar essa metade.

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